Congregação das Oblatas do Divino Coração

Das “missões populares” ao apostolado paroquial

Em 1922, entrou na diocese de Beja D. José do Patrocínio Dias, primeiro bispo para aí nomeado desde a instauração da República. Entre outras obras que empreendeu para a “restauração” pastoral daquela Igreja particular, fundou a Congregação das Oblatas do Divino Coração.
No seu desígnio inicial de reduzir a intervenção da Igreja na sociedade, a I República de 1910 conseguiu os seus intentos nalgumas regiões mais do que noutras. O Alentejo foi das mais atingidas pelo fulgor revolucionário, quase desaparecendo ali a estrutura de dioceses multi-seculares como Évora ou Beja. Esta última, por exemplo, foi governada por sucessivos vigários gerais até 1922, quando entrou D. José do Patrocínio Dias como Bispo residencial (e que iria ficar até 1965).
A tarefa que se impunha ao novo pastor era a de restaurar a vida cristã e toda a dinâmica pastoral daquelas comunidades. Como relata o sítio diocesano, “dá-se à pregação, ao confessionário, aos contactos pessoais” com grande zelo pastoral e, nos primeiros três anos, cria um jornal diocesano, erige a Catedral, institui o Cabido e funda o Seminário Diocesano.
No dia 15 de maio de 1926, convida um grupo de seis jovens para iniciarem a formação em ordem a colaborarem com ele nas missões populares (ver caixa). A este grupo iria propor a total consagração a Deus e à Igreja, vivendo em pequenas comunidades inspiradas na palavra de Jesus “se queres ser perfeito, vai, vende o que tens; vem e segue-Me” (Mt 19, 21). Assim surge, em 1944, a nova congregação das Oblatas do Divino Coração, com o lema “atrairei tudo a mim”. Adquiriram para sua sede a Casa da Santa Maria, em Beja. As suas Constituições seriam aprovadas, em Roma, em 1950.

Pastoral diocesana e paroquial
Na raiz desta congregação está, portanto, uma forte ligação à diocese, nomeadamente, ao trabalho pastoral e social nas paróquias, em ambiente muito descristianizado e mesmo hostil.
De alguma forma, essas características permanecem ainda hoje. O seu carisma e missão centra-se em três aspetos: a reparação, “rezando pelos males do mundo que ofendem o Coração de Jesus quando ofendem a dignidade humana”; a ação pastoral, “auxiliando o clero no exercício de várias formas de apostolado”; e a vida em comunidade e nos locais onde estão inseridas, “testemunhando pela autenticidade do ser o amor do Divino Coração por toda a humanidade”.
A congregação manteve sempre a sua ligação à diocese de fundação, onde desenvolve, sobretudo, trabalho de assistência em instituições sociais com crianças e idosos.

Fora de Beja
Há cerca de 12 anos, as Oblatas aceitaram uma nova missão, a de colaborarem no cuidado ao Santuário de Cristo Rei, em Almada. O reitor, padre Sezinando Alberto, fora “levado” para o Seminário por uma das irmãs e quis convidar uma pequena comunidade para a sua paróquia, em Miratejo, e depois para este santuário nacional. Ali permanecem duas irmãs, que “apoiam no refeitório, na receção aos grupos que ali chegam para retiro, para além de gerirem toda a limpeza do edifício da reitoria e do santuário” e “toda a animação da liturgia e serviços de sacristia”, conta o semanário diocesano Notícias de Setúbal de 23 de fevereiro deste ano.
Um pouco antes, por volta do ano 2000, também abriam uma casa em Fátima, destinada principalmente a residência das irmãs em peregrinação ou em ações de formação e espiritualidade junto do Santuário. Aproveitam esta presença para “acolher, esporadicamente, grupos de peregrinos da diocese de Beja”, indica a superiora local, irmã Cândida.
Além do cuidado da casa, as três irmãs ali residentes colaboram na pastoral do Santuário e da paróquia de Fátima, sobretudo na catequese e na visita aos doentes.

Oblatas
Na linguagem litúrgica, oblatas são as ofertas do pão e vinho que colocamos sobre o altar e se converterão em Corpo e Sangue de Cristo. A mesma palavra é aplicada para designar as mulheres que se oferecem a Deus e à Igreja na vida consagrada, expressão que algumas congregações adotam no próprio nome. No caso desta congregação, o termo surge relacionado com o Divino Coração, apontando essa especial relação que se pretende com o amor de Deus por toda a sua criação.

Missões populares
A expressão surge na contra-reforma tridentina, a meados do século XVI, para designar a pastoral da evangelização dentro da própria Igreja, nas suas comunidades paroquiais. Eram missões lavadas a cabo, sobretudo, por leigos, muitos deles de ordens religiosas, que andavam em pregação e catequização pelas comunidades, como ajuda ao trabalho mais regular dos párocos. Tiveram um papel fundamental naquele período conturbado da história da Igreja, no combate às heresias protestantes, mas também pelos séculos seguintes, no reanimar da fé e da vida cristã dos batizados.

Testemunho vocacional

“Deus escreve direito por linhas tortas”
A irmã Cândida Paula, de 65 anos, é a superiora da comunidade na diocese de Leiria-Fátima. Religiosa há 44 anos, resume assim a vocação:
Nasci em Castainço, no concelho de Penedono, diocese de Lamego. Desde muito nova, senti um chamamento para me dar aos outros. Foi através da revista Além Mar que essa vocação se intensificou, fazendo surgir em mim o desejo de ir para as missões no Ultramar. Mas isso acabou por nunca acontecer… Deus escreve direito por linhas tortas, como diz o ditado. Assim aconteceu comigo: Deus levou-me para o Alentejo e foi aí que realizei a minha vocação de missionária, pois também o Alentejo, como o resto do País e o mundo inteiro, é terra de missão.
Hoje sinto-me feliz e alegre e dou graças a Deus pela vocação que me deu. Apesar dos altos e baixos que a vida tem trazido, Jesus Cristo com sua Santíssima Mãe dão-nos a verdadeira força para realizar o projeto que Ele tem para cada um de nós. Seja louvado para sempre! | Irmã Cândida Paula

Números

Portugal
Casas: 3 em Beja, 1 no Santuário de Cristo Rei e 1 em Fátima
Membros: 14 (dos 30 aos 84 anos de idade)
Diocese
Casas: 1
Membros: 3
Mais nova: 65 anos
Mais velha: 79 anos

www.facebook.com/oblatasbeja

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