Sombras e esperanças

O ano de 2017 deixa para trás muitos acontecimentos negros que martirizaram e mancharam a humanidade. Mas também muitas manifestações de solidariedade e boas ações, sinais de esperança para o futuro. Nos corações humanos, em todos, há capacidade para o bem e igualmente para o mal. Como este faz mais clamor, sofremos mais com ele do que nos alegramos e animamos com o bem.
Na sua mensagem Urbi et Orbe, no dia de Natal, o Papa Francisco mencionou os “ventos de guerra” que ainda hoje “sopram no mundo” e denunciou o “modelo de progresso já ultrapassado” que “continua a produzir degradação humana, social e ambiental”. Em contraposição, fez votos de “que o nascimento de Cristo Salvador renove os corações, suscite o desejo de construir um futuro mais fraterno e solidário, conceda alegria e esperança a todos.”
O nosso mundo continua muito desigual: há poucos que têm demasiado e multidões a quem falta mesmo o indispensável para viver. Aos esforços pela justiça social e a solidariedade sobrepõem-se muitas vezes os interesses próprios. Felizmente, há quem não se conforme e lute para transformar esta situação. São forças que devem crescer com mais adesões.
Todos sofremos os efeitos das alterações climatéricas, mas muitos parecem não aprender. A cimeira do clima e as medidas em defesa do ambiente suscitaram esperança. A retirada americana desse esforço comum foi banho de água fria. Cresce, no entanto, a consciência de que é preciso travar a degradação ambiental. E há muitas iniciativas. Elas podem aumentar com o contributo de cada cidadão.
Cresce a inquietação pelo “inverno demográfico”: as crianças que nascem são insuficientes para renovar a população. Faz-se muito pela educação e qualidade de vida das crianças. Falta dar-lhes o melhor: mais irmãos! Bem hajam as famílias numerosas que generosamente dão à sociedade o melhor bem.
O Papa Francisco continua a ser profeta e exemplo de humanidade e da “alegria do Evangelho”. Oxalá seja seguido por muitos, para que o mundo seja melhor: mais justo, fraterno e humano.

26 Dezembro, 2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *