Encontro da Igreja com a cultura

Os homens não vivem sem cultura: sem a elaboração de pensamento, linguagem, ideias, valores, instrumentos, comportamentos, ritos, mitos e crenças. A cultura é, assim, o produto do esforço e talento humanos para se relacionarem com os seus semelhantes e transformarem o mundo. Cada geração nasce e cresce amparado numa cultura, que, por sua vez, transforma, enriquece e transmite.
Da recolha das palavras de Jesus à redação do Novo Testamento, da elaboração da teologia à construção de igrejas, da criação de melodias à pintura e escultura de imagens, da estruturação da liturgia à fundação de universidades ou à promoção da ciência, a Igreja gerou cultura e exprimiu-se através dela. Partilha também das culturas dos povos: usa-as e infunde nelas convicções, valores e costumes de que é portadora, contribuindo para as transformar.
A relação da Igreja com a cultura acontece também hoje. Não foge ao encontro e diálogo, nem sempre fáceis. Partilha valores culturais, como a dignidade e direitos humanos, liberdade, democracia, justiça social, solidariedade, e ilumina-os a partir da fé. Aprecia, promove e usa expressões artísticas atuais, populares ou eruditas, da literatura, arte, arquitetura, música e novas formas. Valoriza o que é autenticamente humano, mas é crítica de expressões culturais que degradam a pessoa humana.
A cultura é desafio permanente para a Igreja. Referindo-se especificamente às “culturas urbanas”, o Papa Francisco diz: “Torna-se necessária uma evangelização que ilumine os novos modos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais. É necessário chegar aonde são concebidas as novas histórias e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades” (EG 74). Esta evangelização faz-se mediante o encontro, a presença e o diálogo. Assim, conclui o Papa, “viver a fundo a realidade humana e inserir-se no coração dos desafios como fermento de testemunho, em qualquer cultura, em qualquer cidade, melhora o cristão e fecunda a cidade” (EG 75). É preciso seguir por este caminho.

4 Julho, 2017

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *