Sede santos…

Solenidade de Todos os Santos

Tendo sido eu nada e criada numa família anticlerical e convictamente republicana, pouco dada à fé e, portanto, muito menos à prática religiosa, só pelos meus 20 anos, já no meio universitário, em Coimbra, descobri o amor trinitário e o sentido que Jesus Cristo dá à nossa vida. Passei a ir à missa, com surpresa, ofensa e escândalo da família, enquanto os meus colegas apostavam que a minha conversão daria para seis meses. Até hoje. Vem esta referência pessoal ao caso de celebrarmos a Festa de Todos os Santos e de eu recordar a primeira celebração em que participei (estávamos em Novembro e fizera a Primeira Comunhão em Junho) como um momento de descoberta luminosa que nunca mais esqueci. Eu sabia que havia santos. Mas não sabia de que eram feitos. E, ao escutar a leitura do Evangelho das Bem – Aventuranças, percebi com clareza: Os santos são assim. E enquanto o celebrante desenvolvia a homilia eu estava extasiada, sem o ouvir, face à descoberta feita: são estes os santos. Os santos fazem-se assim, num caminho impregnado do Evangelho, e são até hoje sinais de uma existência sempre nova e sempre possível. Em cada celebração de Todos-os-Santos damos graças por todos aqueles conhecidos e desconhecidos, membros da Igreja ou apenas fazendo parte da humanidade que, num mundo de trevas, foram luz, de tal modo que a humanidade nessas luzes encontra forças para viver no dinamismo da esperança e da confiança. Ora cada um de nós é chamado a seguir o seu caminho de santidade, pessoal e único, enraizado em Jesus Cristo e no seu Evangelho. Os santos são nossos companheiros, vivem connosco, interpelam-nos. Não para os imitar e reproduzir a sua maneira de viver, ainda que nos identifiquemos com alguns dos seus traços, mas para que, com a sua vida, nos deixemos estimular no nosso entusiasmo, possível em qualquer idade, para o seguimento de Cristo. Até ao fim.

O nosso seguimento de Cristo, a entrega da nossa vida ao Senhor, tece-se na comunhão dos santos. Caminhamos, com mais ou menos saúde, envolvidos pelos santos de quem aprendemos a viver e a seguir Cristo; acompanhados por aqueles que amámos e que junto de Deus guiam também os nossos passos. Eles e elas, que já partiram, estão vivos em Cristo, na plenitude que hoje ainda desconhecemos. Estão do outro lado do caminho e esperam-nos. O caminho de santidade conduz-nos a uma nova identidade, na aprendizagem da pobreza no nosso coração, no desejo da humildade que nos faz nada mais querer que viver o projecto de Deus em nós, para que o nosso coração se transforme no coração de Cristo. Transportemos em nós o desejo, o caminho e a alegria da santidade. Não há outra receita. P

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *