“Se quiseres podes purificar-me”

06º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Jesus veio para curar os doentes, salvar os pecadores, libertar os cativos de esperança, fazer aliança eterna. É desta forma compassiva e libertadora, que Jesus confirma o seu amor incondicional pela humanidade. Toca os leprosos para os purificar da sua impureza e os readmitir ao convívio natural com Deus e com os outros. Ele salva o leproso da marginalidade e assume o seu lugar: “Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade.” Mas estando fora, não se afasta nem foge das pessoas com medo do contágio do mal, mas atrai às margens os que andam à procura da libertação. Assim a margem torna-se o centro da missão de Deus, o coração da compaixão, o Cordeiro que tira o pecado do mundo!

S. Paulo, imitador de Cristo, também procura sempre dar glória a Deus, fugindo de tudo o que se possa tornar obstáculo a que todos se aproximem e acolham o Evangelho. A sua vida é um evangelho vivo, inscrito nos sentimentos e nas atitudes mais profanas do quotidiano e da rotina. Tudo é missão, tudo é um ato de louvor e de glória a Deus, tudo é moção habitual do Espírito Santo!

O mundo marginaliza e exclui o doente que se torna um incómodo e  um peso para a sociedade. O que é diferente e destoa, deve ser reformatado para ser igual a todos. O fruto que não está segundo o calibre padronizado é excluído do mercado regular. O medo de contágio afasta-nos de muita gente que vive à margem. Os jovens vão para sítios noturnos impróprios para quem quer descansar, mas se os jovens ficam abandonados a si mesmos, quem os poderá ajudar? Muitos passam demasiado tempo entretidos na internet e isso não é saudável, mas se a nossa companhia real não os motiva mais do que a rede social virtual, porque nos limitamos a critica-los? Se este meio de comunicação é a forma mais comum de informação, porque não tentamos, também nós, semear o Evangelho neste meio virtual?

 

Senhor, neste Dia Mundial do Doente, queremos estar unidos aos que sofrem, não como quem faz um frete ou um dever, mas com a mesma determinação e compaixão de Jesus perante o leproso. Cura-nos das nossas lepras contagiosas que afastam os outros de nós e nos marginalizam na solidão. Maria, Mãe da Igreja, que aprendeste na escola da cruz a ser solidária com os teus filhos agonizantes, dá-nos um coração terno e fiel, para sermos lenitivo da dor e horizonte de esperança no sofrimento. Ajuda-nos a humanizar a doença com o serviço paciente e personalizado, a visita fiel e amiga, a oração perseverante e confiante! Senhor, se quiseres podes curar-me do meu medo de ir às margens da dor e da solidão, de perder a liberdade e o tempo que privatizei, de escutar a mesma ladainha doentia que nos aborrece e deprime! Senhor, dá-nos a alegria de colaborarmos na tua salvação, descendo às margens da doença e da solidão! P

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