«… se morrer, dará muito fruto»

05º Domingo da Quaresma – Ano B

Do livro de Jeremias, na primeira leitura deste V Domingo da Quaresma, é-nos feita a promessa que já a vemos cumprida em Jesus Cristo: «Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração… Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo… estabelecerei uma aliança nova e não mais recordarei os seus pecados». Jesus é a Lei de Deus impressa na alma e no coração, no íntimo dos que O têm por seu Deus e são o seu povo. O perdão dos pecados, que nos foi concedido para sempre na cruz do Senhor, é o efeito concreto desta nova e eterna Aliança entre Deus e os homens. O conhecimento do Senhor, e conhecê-l’O significa ser íntimo d’Ele, é a realidade-sinal que nos garante que já não serão precisas outras alianças entre Deus e os homens, pois aquela, realizada em Jesus, é nova, sempre nova, eterna, capaz de (re)unir os homens, colocá-los diante do Senhor e fazê-los conhecedores de Deus. Deus é fiel à sua aliança.

O salmista, porque de facto somos pecadores, ensina-nos a rezar perante a nossa infidelidade: «Dai-me, Senhor, um coração puro… lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas… dai-me de novo a alegria da vossa salvação». Pela fé, na nossa relação com o Senhor que, por amor e para nos perdoar, morreu e ressuscitou por nós, estamos constantemente diante da novidade da alegria da salvação, esta que é sempre nova, é eterna, que vem de Jesus, Deus-connosco. Junto da nossa infidelidade está a fidelidade de Deus que nos perdoa, que nos lava da imundice do pecado. Junto do pecador está o Senhor. Por isso, a carta aos Hebreus, na segunda leitura, coloca-nos diante de Jesus, o Filho de Deus, que aprendeu a obediência no sofrimento, tornando-se para nós, que O obedecemos pela fé na sua morte e ressurreição, salvação eterna.

A morte redentora de Cristo é a realização plena daquilo que o Evangelho nos vai dizer, metaforicamente, «se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto». Jesus, como grão lançado à terra, que morre para brotar e dar fruto, morreu, lançado à terra, foi sepultado, e, como um rebento, ressuscitou para a Vida eterna. E este é o fruto que Ele, Grão lançado à terra, nos dá: o dom da sua vida abundante, Vida eterna, atributo exclusivamente divino, mas que por graça nos foi dada, porque somos o seu povo e Ele é o nosso Deus.

«E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». A cruz de Jesus é o polo de atração. A hora da cruz é também a nossa hora. Estamos no momento favorável, no dia da salvação. Pela fé, a hora da cruz é agora. Contemplemos, pois, o Senhor crucificado. A Quaresma e a Semana Santa que se aproxima, com todas as suas formas de culto, vias-sacras e celebrações, ajudam-nos a viver bem a hora da cruz. Contemplemos a cruz do Senhor. Tiremos do nosso dia, um ou dois minutos, e contemplemos o Senhor crucificado. A cruz é símbolo de vitória, de vida, do grão lançado à terra que germina frutos de vida eterna, em nós.

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