Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

Iniciamos cada ano com a celebração da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Este dia, desde 1968, é o Dia Mundial da Paz, proposto pelo Papa Paulo VI. Este, na sua primeira mensagem escreveu: “ Dirigimo-nos a todos os homens de boa vontade para os exortar a celebrar o Dia da Paz em todo o mundo”. Nos anos sessenta, num país, marcado pela guerra em África como o nosso, e num mundo em permanente conflito bélico, muitos jovens (e não só) ignoravam que no dia 1 de Janeiro era a celebração de Santa Maria, Mãe de Deus. No entanto, sabiam que nesse mesmo dia era dirigida a todos, independentemente do seu credo ou condição, uma comunicação do Papa sobre a Paz que era bom difundir e reflectir. Assim, essa comunicação para o Dia Mundial da Paz permitiu que jovens, católicos e ateus, “amigos da Paz” (Paulo VI), de boa vontade, dessem as mãos no desejo comum de “dar à história do mundo um devir mais feliz” (Paulo VI).
E que relação profunda há entre o Dia da Paz e Santa Maria, Mãe de Deus, que transportou no seu seio o Príncipe da Paz! Celebrar a maternidade de Maria como Mãe de Deus é ter uma certeza que nos acompanhará diariamente: no ser humano a orfandade não tem lugar. Quando somos confrontados com essa condição a maternidade de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não nos permite sentir a corrosão da ausência materna. Maria, quando chegou a plenitude dos tempos, deu ao mundo o Filho de Deus, Jesus Cristo, para que fossemos filhos para sempre, e irmãos de muitos (Gal 4, 4-7). Maria, silenciosa e discreta, escutou o bater do coração do seu Filho no seu seio, e acompanhou-O atenta ao quotidiano dos que O rodeavam: (“Filho, não têm vinho!”). Fomos-lhe entregues por Cristo na Cruz e somos seus filhos. Sabemos que, como Mãe, Nossa Senhora escuta os sonhos, as dores, as aspirações de cada um. Com Maria, que meditou no seu coração a admiração e a surpresa dos pastores, aprendemos a crescer humanamente, a viver de Deus, para sermos sua morada e morada para tantos outros. Peregrinos pela nossa condição existencial, nós nunca seremos estrangeiros, porque somos irmãos, porque somos Igreja, porque temos uma família que é toda a humanidade. Caminhemos tranquilos, porque o Senhor volta para nós os seus olhos e nos abençoa (Num 6, 22-27). Assim, Maria, Mãe de Deus, é a Mãe de todos os homens. O Papa Francisco na mensagem para o Dia da Paz deste ano acentua a situação dos refugiados, num horizonte de esperança. E cito: “Precisamos de um olhar de fé […] promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça […] Quem estiver animado por este olhar será capaz de reconhecer os rebentos de paz que já estão a despontar e cuidará do seu crescimento”. P

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