“Saiu o semeador a semear”

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

A Palavra de Deus é viva e eficaz. A comparação é muito simples: assim como a chuva e a neve, que caem do céu, regam a terra, fecundam-na e a fazem produzir para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da boca de Deus produz o efeito que Ele quer, cumpre a Sua vontade, e realiza a Sua missão.Esta é a mensagem central da passagem do livro de Isaías e, aliás, da liturgia da Palavra que escutamos neste XV Domingo do Tempo Comum. No mesmo sentido, o Salmo responsorial deixa-nos a imagem do terreno preparado, das chuvas que caem do céu, do trigo que brota nos campos, das sementes abençoadas, dos abundantes pastos e dos outeiros que se revestem de festa; “Tudo canta e grita de alegria”: a Palavra de Deus realiza os seus efeitos e faz a terra produzir os seus frutos. Na segunda leitura, Paulo confirma que a alegria plena, a glória de Deus manifestada em nós, dar-se-á justamente como cumprimento da Palavra do Senhor, da sua promessa, quando recebermos a gloriosa liberdade dos filhos de Deus, na adoção filial e libertação do nosso corpo. Paulo vive da promessa, proclama a promessa, sabe que os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória que se há de manifestar em nós. As criaturas, diz Paulo, aguardam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus.

O Evangelho traz-nos a parábola do Semeador, que certamente já a lemos, relemos e ouvimos tantas vezes. E que efeito tem produzido em nós? A Semente é a Palavra que não retorna a Deus sem antes produzir efeito, fecundar a terra do nosso coração. Mas como está a terra do nosso coração que recebe esta semente da Palavra do Senhor? Retirando a linguagem poética, como está a minha e a tua vida? Como vai a alma, a mente, o entendimento, em relação ao acolhimento da Palavra?
O semeador é Cristo. Quem O encontra viverá eternamente. «Saiu o semeador a semear». Encontrou-me a mim. Encontrou-te a ti. Que terra encontrou em mim? Que terra encontrou em ti? Jesus é o mestre que se senta no barco para ensinar. As suas palavras são de vida eterna. Ele fala ao coração, fala aos simples, fala uma linguagem percetível. Semeia a Palavra. Continua a semear. Insiste comigo, insiste contigo. Primeiro passo: Entremos, com Ele, dentro de nós. Trabalhemos a terra. Tiremos os espinhos. Ele ajuda-nos. A confissão, a Missa, a oração e a meditação da Palavra de Deus são indispensáveis para a preparação da terra. As preocupações, que podem ser as tais pedras, coloquemo-las nas mãos d’Ele. Os medos, as tentações, os pecados, que são os tais espinhos, mostremo-los ao Senhor, para que Ele os elimine. Talvez sejam muitos, mas aos poucos, connosco, Ele vai limpando e purificando a terra. Estamos com Ele, o Maligno nada pode fazer. Criemos com Ele, em nós, espaços onde se possa semear em boa terra. Deixemo-l’O ser mais que semeador. Deixemo-l’O cuidar da terra. Ele é o semeador e o Pai é o agricultor. A terra somos nós. A água que fecunda é o Espírito Santo. Não estamos sós.P

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