Participar num convívio festivo, ou num insípido velório?

28º Domingo do Tempo Comum – Ano A

*A parábola de hoje revela-nos que Deus nunca faz a festa, sozinho:* é um rei magnânimo, que tem gosto em organizar eventos jubilosos em honra dos seus filhos e se quer ver rodeado por todos os seus amigos. É este o seu plano salvífico. As bodas simbolizavam os tempos messiânicos de fartura, mas indiciam, aqui, a festa do amor, a vocação à vida e à felicidade. Todos fomos chamados e necessitamos de nos sentir acalentados, importantes e únicos, e de sair ao encontro dos outros para construirmos a comunhão. Nisso consiste a nossa realização pessoal e a felicidade. O domingo é o dia da festa em nossa honra, que Deus leva a cabo, não por favor, mas porque é bom e nos deseja ditosos e parecidos com Ele.

*A resposta a este convite constitui um compromisso sério e vital.* Optar pela ausência ou pela rejeição a este apelo gratuito, inventando desculpas esfarrapadas, é como se um jogador declinasse a honra de ser chamado à seleção. Afinal, é a voz e o coração de Deus que nos equipa, nos treina e de nós faz apóstolos do Evangelho.

*Fixemo-nos na teimosia daqueles que ignoram a sua fé,* desde a recusa do povo judaico à de tantos cristãos, e na pertinaz resiliência de Deus, que remete e investe vagas interruptas de servos, até ter o salão dos eleitos a abarrotar. O cartão de visitas de Deus é sempre uma saciedade de prodígios, mas Ele espera a colaboração da nossa parte.

*Um dos convidados da parábola esqueceu-se ou recusou endossar a veste nupcial.* Pensou que vinha para um funeral, e não para um opíparo banquete. Vestiu a pele de intruso e sentiu-se deslocado. É a reação dos que tornam o seu amor monótono e banal. Só contagia quem irradia entusiasmo e felicidade. Deus investe sempre no nosso bem-estar. E, se transmitimos uma bela e feliz notícia, é por nos sabermos amados por Deus e pelos irmãos. Temos, pois, de irradiar um ar mais saudável e afetivo, um rosto prazenteiro e vivaz. Somos a cidade que coroa o monte e a candeia que enfeita o candelabro. Não precisamos de exibicionismo, mas tão-somente de mostrar a luz que nos enche a casa e o bom fruto que a árvore do nosso quintal produz.

*É preciso sonhar para viver e de viver para sonhar.* As razões que invocamos para justificar o nosso eventual testemunho mortiço, o absentismo e a dedicação que consideramos ao mais urgente e prioritário, podem parecer normais e quase razoáveis. Corremos, porém, o risco de ficarmos sem o mais importante: a presença e a alegria do anfitrião, a ternura do noivo, Jesus Cristo, e o clima esplendoroso da festa dos irmãos. Ora, é o sonho da santidade, a descoberta mútua e o ambiente gratificante da relação, que curam as nossas desilusões, quebram a monotonia da nossa vida e dão sentido à nossa caminhada diária.

*Fora do clima cálido da fraternidade, estaremos sempre votados ao ‘choro’,* porque fugimos da alegria e da festa comunitária, e resta-nos ‘ranger os dentes’, pois, à míngua de alimento substancial, vamos só mastigar e deglutir amargura e solidão.

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