O dia do nosso aniversário

Natal do Senhor – Missa do dia – Ano B

*A boa notícia que os anjos transmitiram aos pastores foi esta: “Nasceu-vos hoje em Belém o Salvador!”* (Lc 2, 11). Ou seja, no Natal tomamos consciência de que o presépio esteve sempre instalado dentro de nós e de que somos a residência habitual e preferida de Deus. Membros da sua família, tornamo-nos seus vizinhos e condóminos, seus compatriotas e concidadãos, seus conterrâneos e contemporâneos. Convertemo-nos no seu território e na sua pátria, Ele é o nosso Senhor e nosso Deus, como professava o apóstolo Tomé.
*Um dia, Martín Descalzo, sacerdote e jornalista espanhol, afirmou: ‘Afinal, todos nós nascemos em Belém, porque em Belém nasceu o melhor de nós mesmos’*. Quando o salmo 139 canta: ‘Vós formastes as entranhas do meu corpo e me criastes no seio de minha mãe’, pretende mostrar-nos que a Incarnação não é a chegada ou entrada de Deus na nossa terra, porque Ele sempre aqui morou, já que esta é a sua terra. Não foi Ele quem se deslocou até nós ou nos fez uma espécie de visita protocolar, estilo ‘presidência aberta’.
*João Batista dissera-o claramente aos judeus: ‘Está no meio de vós alguém que me precedeu*, que chegou antes de mim e que vós ainda não conheceis verdadeiramente – o Senhor’. Afinal, Deus nunca deixou a sua casa, que somos todos nós: não viajou de outro local nem cruzou os espaços estelares. Nós é que estamos a rumar e a peregrinar até Ele, para, a exemplo dos Magos, O visitarmos, saborearmos a sua epifania, mergulharmos na luz desse cometa maravilhoso, num vislumbre de graça que nos surpreende e encanta, no êxtase da transfiguração do rosto e do coração cálido do nosso Deus.
*As saudades brotam por quem está ausente e não por quem connosco convive*. Com uma pessoa amiga devemos cultivar, sobretudo, a familiaridade e a intimidade. Deus é prévio à nossa existência, vive dentro de nós desde o primeiro instante na nossa vida. Não foi Ele quem incarnou e se fez homem, mas fomos nós quem foi criado à sua imagem e semelhança. Ele é mais divino e mais humano do que nós. Seremos nós mesmos, se nos pautarmos pelo seu molde, se O entranharmos e sobre nós deixarmos incidir o seu fulgor. Compete-nos reproduzir as parecenças que mantemos com Ele e avivar as feições que Ele deixou impressas em cada um.
*Jesus não entrou disfarçado no mundo, mas apareceu como era: irmão e amigo*. Normalmente, as pessoas boas não fazem ruído, passam despercebidas e tornam-se quase invisíveis. Hoje, poucos reconhecem Jesus como seu Senhor e seu Salvador. A exemplo dos judeus e de muitos dos seus discípulos, nós idealizamo-l’O também de outra forma. Mas, só os simples, como os pastores e os amados do Pai têm a chave de acesso ao tesouro do seu íntimo.
*O Natal não é uma festa a comemorar anualmente, mas a certeza diária de sermos filhos de Deus*, que nos habita, nos ama, nos perdoa e nos torna totalmente humanos. Como assegurava S. Paulo: “É n’Ele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). O cristão deixa-se acordar, anseia e vive dessa dessa felicidade inaudita! P

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