Na cruz de Jesus Cristo está a nossa glória

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – Ano B

O paradoxo do Domingo de Ramos permite-nos viver por o triunfo e a paixão de Cristo, coma narrativa da sua entrada em Jerusalém e narração do evangelho da Paixão. Contemplamos surpreendidos a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. Com efeito, estamos face ao entusiasmo que caracteriza tantas vezes as multidões quando vêm em alguém um libertador, para apressadamente o condenarem, se não corresponde aos seus desejos e aos seus objectivos. Na verdade, aquela multidão que aclama o Senhor na sua entrada em Jerusalém espera que Ele seja “o Rei da Glória, o Senhor dos Exércitos”, aquele que vai tomar o poder, que se vai tornar um senhor poderoso e restaurar a realeza de David. De certa forma têm razão porque a entrada de Jesus em Jerusalém inicia a sua glorificação. A glória do Senhor não é a glória do poder, não é a glória que se conquista pela violência, como desejam os que o aplaudem nessa entrada. É a glória que brota da entrega à vontade do Pai até ao fim e de um amor apaixonado pelos homens, que se manifesta na sua morte na Cruz. Por isso mesmo, aqueles que o aclamam na sua entrada em Jerusalém gritarão mais tarde “Crucifica-O! ” revelando assim a sua total incapacidade em compreender a natureza do poder e da glória de Jesus Cristo, que se manifestará na sua Ressurreição. Mas antes, Jesus Cristo passa pela rejeição dos seus gestos, das suas palavras e da sua identidade, pelo aniquilamento e pela morte infamante na Cruz. Até os seus mais próximos o abandonam, porque também eles experimentam a desilusão em relação aos seus desejos de glória e de poder. Daí o escândalo da Cruz que faz com que a maioria dos apóstolos se afaste, que Pedro o negue. É o próprio Deus que se deixa crucificar fora da cidade e que aceita a sua própria eliminação. O pecado do homem, a negação do amor é sempre uma variante dessa morte na cruz. Toda a acção que procura eliminar e diminuir o outro, toda a negação de perdão, toda a forma de violência, da mais subtil à mais visível e escandalosa, são formas astuciosas de negar e renegar Cristo, eliminando-o da vida do homem e da história do mundo. Desprezo, rejeição, violência…Na verdade, são numerosas as formas como pomos Jesus Cristo entre parêntesis, na nossa vida. Se a cruz de Jesus Cristo é um escândalo este repete-se cada vez que um ser humano é sacrificado por causa dos interesses de outros, do seu prestígio pessoal, da sua sobrevivência. Somos nós que erguemos as cruzes, na Europa, em África, no Médio Oriente, na nossa vida pessoal, na nossa família, na nossa profissão. As cruzes que erguemos são assumidas por Cristo, porque o Senhor vem sempre ao nosso encontro, desce aos nossos infernos, para deles nos libertar. Jesus entrou em Jerusalém, e nas cidades de hoje como o único e verdadeiro libertador, que nos faz participantes de uma vida mais humana e solidária. Então, nunca estaremos sós e em nós se reflectirá a Cruz de Jesus Cristo e a sua Glória.

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