Fidelidade: fonte de alegria

33º Domingo do Tempo Comum – Ano A

A Oração Colecta do XXXIII Domingo do tempo comum faz referência a alegria de estar ao serviço do Senhor. Rezaremos assim, concluindo a oração: “porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens”. De facto, o tema central das leituras que a liturgia da Palavra nos apresenta é o da fidelidade. A fidelidade a Deus tem como consequência a alegria. Esta pode não ser imediata, porque mesmo o amigo e servo de Deus sofre e chora. De facto, fazer render os talentos é exigente, custa o suor do rosto, mas a alegria virá. É como aquele que cuida da terra, semeia e colhe, com sacrifício e fadiga, mas depois se deleita com os frutos da terra.
Na primeira leitura, do livro dos Provérbios, encontramos um poema de louvor à mulher virtuosa. É preciso lembrar que na Bíblia a mulher é símbolo da sabedoria. E a sabedoria é para todos, homens e mulheres. O insensato não sabe ser fiel, busca os seus próprios interesses, mas o sábio sim, pois sabe que colherá os frutos da sua perseverança. Encontramos na Bíblia mulheres valorosas que exerceram um papel importante na história do povo de Deus e são exemplos de fé e fidelidade ao Senhor (Esther, Judite, Rute). “A mulher que teme o Senhor é que será louvada”. Estas mulheres do Antigo Testamento, com Maria, a Mãe de Jesus, são exemplos de fidelidade, e de sabedoria, que a Sagrada Escritura nos apresenta. Como reza o Salmo 127, “feliz de ti que temes o Senhor”. O temor do Senhor é, pois, a fidelidade em acto. Quem teme o Senhor é fiel à sua Palavra. Quem vive o temor do Senhor procura-O, ama-O, coloca-O em primeiro lugar. Não se trata de medo de Deus, mas de amor, entrega, compromisso, de fidelidade. “No amor não há temor”!
As promessas que o Salmista apresenta são para a vida, para hoje, para um futuro próximo, para a realidade concreta: comerás do trabalho das tuas mãos, serás feliz, tudo te correrá bem, tua esposa será como videira fecunda, teus filhos como ramos de oliveira. E acrescenta: “Assim será abençoado o homem que teme o Senhor”. Porém, tudo passa pela fidelidade. Por isso, na segunda leitura, São Paulo alerta-nos à sobriedade. A vinda do Senhor virá sem avisar, como um ladrão. Pensemos talvez naquele dia da nossa partida deste mundo, que não sabemos quando será; ou no último dia, quando o Senhor Jesus voltar, com todo o seu esplendor, para julgar os vivos e os mortos. Tendo em mente esse dia, que será pleno de misericórdia, só nos cabe hoje a fidelidade, o temor do Senhor.
O que nos é necessário é não andar nas travas, porque não pertencemos às trevas. Somos filhos da luz. Portanto, vivendo na fidelidade a Deus, cumprindo os seus mandamentos, procurando-O na oração, nos sacramentos, na intimidade do coração e na celebração comunitária, servindo-O naquele que sofre, amando e perdoando quem está próximo, pondo a render os talentos que Ele nos deu, poderemos então acolher um dia a Palavra do Senhor: «Porque foste fiel em coisas pequenas, vem tomar parte na alegria do teu Senhor»! P

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