Esta é a revelação do mistério que estava encoberto desde os tempos eternos

04º Domingo do Advento – Ano B

A caminhada de revelação e de esperança do Advento faz-se luz no Natal. Já se sente o pulsar do Amor a nascer, fruto dum Sim humilde, silencioso e obediente à Palavra da salvação. É a infinita distância entre o “fazer o que nos diz o coração” (2 Sam 7,3) e o “faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Maria-Serva torna-se, pelo “eis-me aqui”, um hino de louvor a Deus, morada que Deus prepara pela imaculada Conceição e espera a revelação do Sim que gera a Vida.
David quer construir uma morada para Deus. Maria deixa Deus entrar na sua vida, abre-se à fecundidade do Espírito Santo e deixa-se habitar pela sombra do Altíssimo. Deus revela nos que a morada que Ele quer é a “obediência da fé” (Rom 16,26), a humildade do coração, a docilidade do barro que se deixa moldar e recriar, como obra prima à imagem do Criador. A Arca da Aliança não são pedras escritas, guardadas num templo de pedra, mas sim vidas humanas, esvaziadas de si e abertas à morada de Deus!
O Advento prepara-nos para a celebração do Natal, em que cada um se torna um presente precioso, sem embrulho nem disfarce, para o Menino-Deus habitar e o Espírito trabalhar.
Mais do que preocupar-nos em dar presentes aos amigos e a Deus, é preciso deixar que Ele faça em nós o seu presépio vivo, que dura todo o ano e dá frutos de filiação divina e de fraternidade sustentada!
Bem diferente é o advento do mercado, que nos prepara para comprar, oferecer, brilhar. Leva-nos a montar presépios de barro, de madeira, de plástico ou outro material comprado, para que, logo que passe a quadra, o arrumemos numa caixa até ao próximo Natal; isto se, entretanto, este não passar de moda e não o deitarmos ao lixo! É mais um ritual social que alimenta a emoção, a vaidade, o consumismo, o lixo e quase sempre o egoísmo. É um advento que esconde mais do que revela, superficializa mais do que interioriza, age mais segundo o nosso capricho do que segundo a vontade do nosso bom Pai! Estamos no final do Advento e se calhar precisaríamos de leva-lo mais a sério!
Senhor, eis-nos aqui, entretidos com solidariedades emotivas, fragmentadas e sem continuidade.
Uma vez por ano lembramo-nos que há pobres, que há gente que mora na rua, que há presos, que há doentes, que há solidão esquecida… mas no resto do ano vamos fazendo apenas “o que nos diz o coração” ou o que nos obriga a dependência e o comodismo.
Maria, Senhora grávida do Verbo Divino, ensina-nos a escutar a Palavra de Deus, a dialogar com o amor do Altíssimo, a confiar no que Deus deseja, a acolher o que Deus revela! Nesta noite, em que a vossa luz nos faz ver a Luz (cf. Sl 36,10), liberta-nos dos ruídos cobiçosos e abre-nos à pureza da festa do nascimento do Filho de Deus na manjedoura do nosso coração! P

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