Cristãos praticantes: fazem falta!

30º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Amar a Deus e amar o próximo é caminho de Vida. São realidades dependentes que se completam, que se autenticam, que se confirmam uma na outra. Quem ama a Deus e diz não amar o seu próximo é mentiroso. Desta forma, a Liturgia da Palavra deste XXX Domingo do Tempo comum leva-nos a compreender que não há como amar a Deus e não amar aquele que precisa de mim, que está em solidariedade comigo na humanidade, o meu próximo. As ordens do livro do Êxodo são bastante claras e práticas: não prejudicar, não maltratar, não cobrar juros do que se empresta ao pobre, devolver o que foi emprestado e faz falta a quem emprestou. São leis que tocam a justiça. Na verdade, a caridade exige a justiça. O homem justo é aquele que faz o que deve fazer. Agir segundo o coração de Deus é, pois, praticar a justiça. Assim, o amor a Deus se concretiza no amor do próximo, porque Deus no seu amor não faz outra coisa senão sair de si para cuidar dos homens. Da mesma forma, os homens devem cuidar uns dos outros. Os que podem mais devem, ainda mais, cuidar dos que podem menos. Porque o pobre teve sempre um lugar privilegiado no coração de Deus. Mas quem é o pobre? É todo aquele que põe a sua confiança no Senhor. É aquele que depende do Senhor. Portanto, é todo ser humano que tem fé e a vive de um modo autêntico, com confiança e entrega do coração, de todo o seu ser, ao Senhor, porque sabe que só em Deus está a fonte da vida. É do coração do pobre que sai a oração que o salmista nos leva a cantar na liturgia dominical: “Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança, meu protector, minha defesa e meu salvador”. Para compreendermos bem a que somos chamados, São Paulo, ao escrever aos Tessalonicenses, chama-os de imitadores do Senhor, exemplo para os crentes, porque receberam a Palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo. Da mesma forma, cada um de nós, à imagem do Senhor e imitando os santos, somos convidados a ser testemunhas alegres. O que testemunharemos aos nossos irmãos? O que temos visto e ouvido: as obras de Deus, o seu amor sem medida, a sua graça salvífica que nos alcançou. Que gestos concretos devemos ter? Perdoaremos e amaremos. Estenderemos a mão a quem precisa da nossa ajuda. Ofereceremos auxílio aos que quiserem ser auxiliados. Seremos cristãos. Praticaremos a nossa fé. Porque, hoje em dia, fazem falta, bem mais que católicos praticantes, cristãos praticantes. Não são só as igrejas que estão vazias. Existem bem mais corações vazios por aí. Precisamos de homens e mulheres de amor gratuito. Temos urgência neste mundo de olhos, braços e abraços que se voltam aos que precisam. Precisamos de homens e mulheres que amem a Deus com todo o seu ser, para que do mesmo modo possam amar o seu semelhante. Jesus disse no Evangelho que o mandamento do amor a Deus e o amor ao próximo resume a lei e os profetas. Assim, toda a verdade sobre Deus e sobre a humanidade está ali contida. Repito: Amar a Deus e amar ao próximo é caminho de vida. P

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