Conversão: “O que fiz por Cristo? O que faço por Cristo? O que farei por Cristo?”

01º Domingo da Quaresma – Ano B

A Quaresma é um caminho no qual somos convidados a com a nossa memória, a nossa inteligência e com a nossa vontade a interrogarmo-nos sobre os nossos desejos e o sentido que damos à nossa vida, dia-a-dia. Para onde vamos? O que procuramos verdadeiramente, com as nossas opções? De que somos escravos? Da televisão e das telenovelas, da internet com os seus jogos e o Facebook? De que estão sobrecarregadas as nossas agendas, que nos impedem de sermos para Deus, de sermos para os outros? Porque o nosso caminhar pessoal é por vezes sinuoso, como o é o trajecto da humanidade. É um caminho onde há alegrias mas onde se entrelaçam o sofrimento, os fracassos, os obstáculos, as tentações. Por isso, a Quaresma é um tempo de libertação, uma pausa para respirar o ar puro da nossa vida e procurar o que nos é essencial para que, a partir da nossa história, do nosso dia-a-dia renovemos o nosso olhar para não perdemos o horizonte que nos guia: a Terra Prometida, a Aliança perfeita que é a comunhão com Deus. Portanto, a Quaresma conduz-nos a uma descoberta maior da nossa frágil realidade. Quarenta são os dias da Quaresma. Quarenta é um número simbólico: por quarenta dias, Noé confronta-se com as águas do diluvio, mas confiado na promessa de Deus: “A seguir, Deus disse a Noé e a seus filhos: «Vou estabelecer a minha aliança convosco, com a vossa descendência futura” (Gen 9, 8). O dilúvio recorda-nos que na vida dos homens há sempre a possibilidade de um novo nascimento, de uma nova criação, de novos céus e novas terras e que há sempre um novo horizonte, para uma vida tantas vezes perturbada pela debilidade e pelo pecado. No entanto, estaremos sempre marcados pela esperança frito da promessa de Deus, porque “Quando cobrir a Terra de nuvens e aparecer o arco nas nuvens,recordar-me-ei da aliança que firmei convosco e com todos os seres vivos da Terra […] Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e todas as criaturas existentes na Terra” (Gen 9, 14, 17). A aventura simbólica de Noé é a parábola de toda a nossa existência de baptizados. Se com Noé, a paciência de Deus abriu a criação a uma existência nova, o Baptismo faz da nossa vida um caminho de compromisso para com Deus (1 Pe 2, 21), na constante passagem da morte à vida, da tristeza à alegria, porque Cristo ressuscitou e é o Senhor da nossa história. Quarenta dias foi o tempo do dilúvio, quarenta anos, o Povo de Israel buscou a Terra Prometida, quarenta dias esteve Jesus no deserto e foi tentado. Essas tentações terão sido as da riqueza, do poder, da invulnerabilidade total. E de que forma as encontramos na nossa vida, na mentalidade do nosso tempo, na sociedade, no mundo político, nas famílias. O próprio Cristo foi confrontado com solicitações que não iam de acordo com a vontade do Pai, assumindo totalmente a nossa condição humana. Depois dos quarenta dias no deserto parte para a Galileia: “ Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.” (Mc 1, 15). E nós, porque é Ele o Senhor da nossa vida e a Ele queremos seguir, temos quarenta dias preciosos para perguntarmos. “O que fiz por Cristo? O que faço por Cristo? O que farei por Cristo?”.

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