Ao encontro de Cristo

02º Domingo do Advento – Ano B

São Pedro adverte-nos na segunda leitura: Deus “usa de paciência para connosco e não quer que ninguém pereça”. O que está em causa é a segunda vinda de Jesus que tarda em acontecer, como pensam alguns, mas na verdade “o Senhor não tardará em cumprir a sua promessa”. Segundo o autor bíblico, Deus quer que todos sejam salvos, por isso insiste com a nossa conversão. E porque o “dia do Senhor” virá como um ladrão, então a nossa vida deve ser vivida em santidade, para apressar a sua vinda. A Oração Colecta do segundo Domingo do Advento leva-nos a pedir a Deus que nada neste mundo seja obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo. No caminho com o Senhor, o que nos orienta é a verdade que nos foi prometida: a sabedoria do alto levar-nos-á a participar no esplendor da glória de Deus. Ao fim de tudo está sempre Aquele que está no princípio: Deus.
A leitura do livro de Isaías é uma profecia carregada de consolação: “terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa”. Porém, a ordem é clara: «Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitem-se os caminhos tortuosos”. Esta profecia vale para hoje. O que São Pedro diz, sobre uma vida de santidade para apressar a vinda do Senhor, é propriamente este “preparar” e “endireitar” que o profeta hoje ordena. A profecia promete que o Senhor virá e com Ele virá a recompensa. O Senhor “como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos”. Ele mesmo “tomará os cordeiros em seus braços e conduzirá as ovelhas ao seu descanso». Tendo isso em mente, hoje a nossa oração é aquela do Salmo 84: “Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação”. O Salmo termina com promessas de consolação: “O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus frutos”.
No Evangelho a voz de João Baptista ecoa e confirma, clamando pela conversão dos corações ao Senhor. O tempo do Advento, bem o sabemos, é um tempo forte de oração e de conversão. É tempo de espera. Mas não de uma espera passiva. É tempo de acção. Tempo de mudança. Tempo de endireitar os caminhos e de aplainar as veredas. Aquele que é mais forte que João, mais forte que cada um de nós, mais forte que os nossos problemas e pecados, vai chegar, já chegou, está no meio de nós. Quem nos capacita à mudança é o seu Espírito. É preciso humildade. Como João, perante o Senhor, não somos dignos de desatar as correias das suas sandálias. Este era o trabalho dos escravos quando o seu senhor chegava a casa. A nossa dignidade foi concedida por Deus. Ele fez-nos dignos da sua glória. Sejamos, pois, humildes perante Deus. Alegremo-nos na nossa bendita indignidade, que nos concedeu a graça de sermos dignos da bondade do nosso Deus. Porque Ele é mais forte, porque nos baptiza no seu Espírito, de quem podemos esperar a força para prepararmos, com a nossa vida, a sua segunda vinda, endireitemos os nossos caminhos! Vem, Espírito Santo! Caminhemos com Ele! Vivamos na alegria da espera d’Aquele que já chegou mas ainda não… o Senhor virá!

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