Advento – tempo de espera e de presença

01º Domingo do Advento – Ano B

*O início do ano litúrgico começa pelo fim*, porque é a esperança, a alegria e o encontro do Senhor que dão o tom à caminhada eclesial e da santidade. O cristão é o homem da espera, da expetativa, do anseio pelo encontro com o ‘noivo’, o Senhor, que está para chegar. Como na sala de espera de um aeroporto, devemos prever e saber o dia e a hora, e fixar bem o rosto de todos os que chegam, para descobrirmos a aparição do nosso amigo.
*O mundo pode continuar mergulhado em conflitos e assoberbado por problemas económicos, laborais e criminais…* mas o cristão está atento e aposta na presença de Deus e na força da oração, porque quem reza vê melhor e mais longe e só tem olhos para os sinais positivos.
*Rezar não é ausentar-se dos problemas, mas fazer com que Deus resolva, primeiramente, o que Lhe compete, e esforçar-se por dar solução ao que nos diz respeito.* Orar é ser otimista e realista, descobrir as pegadas de bondade que Ele vai deixando no nosso habitat. Somos terra cultivada por Deus, que nunca deixou ao abandono a obra das suas mãos. Não deve haver, pois, lugar para o desânimo ou o desespero.
*A literatura apocalíptica e a parusia ensinam-nos a passar das mudanças circunstanciais deste mundo à estabilidade radical do Reino de Deus.* Anunciam a presença contínua de Deus: irão cair e apagar-se os astros do universo, para cederem lugar à Luz única e verdadeira.
*A Palavra de Deus no tempo do Advento* alerta-nos para o perigo das doenças atuais, a nível cristão: andamos a absorver anti-valores e mantemo-nos pesados e obesos, espiritualmente falando. Isso descontrola os níveis do colesterol, da diabetes e da tensão arterial da nossa santidade.
*O cristão caracteriza-se por ser uma pessoa itinerante e ligeira.* Nem faz da terra sala de espera (a pensar só no céu) nem parque de estacionamento (vivendo apenas das realidades terrestres). Atuamos no mundo, mas somos cidadãos de outra galáxia. Andamos à espera de Alguém (o noivo pode demorar, mas não comunicou que faltaria ao encontro das bodas), mas já O temos entre nós (graças ao mistério da incarnação).
*Precisamos, assim, de aprender a descansar.* Sofrer de insónias não é vigiar. Andar preocupados e viver em ambiente frenético não equivale a estar ocupados ou a saber esperar. Necessitamos de uma boa dose de serenidade (não de nervosismo), de confiança (não de medo) e de esperança (não de desânimo).
*Cada um é protagonista da sua própria história.* O encontro definitivo prepara-se e pontua-se com os encontros e os encontrões diários que marcamos com os demais, os eventos quotidianos, as opções pessoais e o contributo da Palavra de Deus.
*A almotolia pessoal tem de dispor de uma boa dose de azeite de reserva, que tenha sido fabricado por cada um e atempadamente.* Na decisão última, ninguém nos irá substituir ou servir de fiador. Não será possível trasfegar as virtudes de outrem para o nosso armazém interior: a nossa fidelidade não vai admitir improvisações nem contrafações alheias.

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