E a nossa Alegria não terá fim…

03º Domingo do Advento – Ano B

As leituras deste Domingo, no seu conjunto, são um apelo à Alegria gerada na esperança que nos habita que é a esperança na alegria plena que Jesus Cristo traz à nossa existência. Celebramos o nascimento do Senhor no Dia de Natal, mas o tempo que o antecede permite-nos viver a alegria da gravidez, que é já uma promessa de vida. Essa vida é desde a Criação, uma presença escondida em toda a humanidade, em cada ser humano. A humanidade, grávida de Cristo, esperou o seu nascimento e a revelação do seu rosto. Hoje, em cada um de nós, renova-se essa espera, para que ao descobrirmos a presença de Cristo no interior de nós próprios, possamos dizer-lhe “Sim”!, e dessa forma dizer igualmente “Sim!” à nossa existência. Esta, nem sempre é fácil, mas toma outro sentido, ganha uma alegria nova quando vivida na comunhão entre nós e o Senhor: Cristo está em nós, e nós em Cristo, como proclama João, no Evangelho (Jo. 1, 6-8, 19 – 28) “No meio de vós está Alguém, que não conheceis”. Está sempre.
Este tempo é também o tempo de uma grande alegria, porque nos fala da Nova Criação, e anuncia a consolação daqueles que conhecerão a justiça, a dignidade dos homens livres, e serão libertos da pobreza que desfigura a imagem de Deus no rosto de tantos: “ O Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados […] Exulto de alegria no Senhor”. (Is 61, 1-2; 10-11). É a alegria que Maria anuncia, no Magnificat, que tem a função sálmica neste Domingo, no qual Nossa Senhora manifesta a sua alegria, a sua esperança, vivendo talvez a inquietação vivida na Fé, sem deixar de se entrega á vontade de Deus, na maior confiança.
Nas cidades erguem-se gigantescas e alienantes árvores de Natal, cuja iluminação é celebrada por multidões e personalidades que exercem funções públicas. A nossa alegria não é essa. A nossa alegria é dom do Senhor que vem no presépio, escondido e esquecido. Nós somos homens e mulheres que transportam a Alegria e a Esperança em tempos novos. No meio das más notícias que os meios de comunicação nos trazem diariamente, nós temos sempre uma boa notícia: a plenitude da justiça e da bondade tornar-se-ão reais num mundo melhor. E com toda a humanidade faremos das nossas vidas caminho para que esse mundo se realize historicamente. É certo que o caminho de Cristo, da singeleza do Presépio à Ressurreição passou pelo Calvário. Sabemos isso mas alegramo-nos no Senhor. Conhecemos divisões e desertos, tantas vezes no seio das famílias. Mas sabemos, como S. Paulo, que o Senhor nos chama cada dia e em nós cumprirá as promessas feitas. (1 Tess 5, 16 – 24). E a nossa Alegria, então, não terá fim. P

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